O programa Liberdade Liberdade de Expressão é uma revista eletrônica local, totalmente dedicada às artes, espetáculos, políticas do setor cultural, cobertura de trabalhos sociais e culturais de ong´s, empresas privadas e públicas, movimentos da sociedade civil organizados e a opinião pública.A TV Pernambuco que num esforço conjunto do Governador Eduardo Campos e do presidente do Detelpe André Luiz Farias vem reestruturando a tv com novos equipamentos, contratação de novos profissionais, expansão de seu sinal de cobertura. Hoje atingindo mais de cinquenta porcento do Estado de Pernambuco nos seguintes canais: AFRÂNIO - CANAL 08, AFOGADOS DA INGAZEIRA - CANAL 03, ANGELIN - CANAL 06, ARARIPINA - CANAL 02, ARCOVERDE - CANAL 06, BARREIROS - CANAL 21, BETÂNIA - CANAL 04, BELÉM DE SÃO FRANCISCO - CANAL 08, BONITO - CANAL 02, BOM CONSELHO - CANAL 02, BOM JARDIM - CANAL 36, BREJO DA MADRE DE DEUS - CANAL 11, BUÍQUE - CANAL 24, CACHOEIRINHA - CANAL 07, CABROBÓ - CANAL 02, CALUMBI - CANAL 10, CAMELA - CANAL 10. CANHOTINHO - CANAL 10, CARUARU - CANAL 12, CATENDE - CANAL 10, CHÃ GRANDE CANAL 09, CORRENTES - CANAL 05, CRUZ DA MALTA - CANAL 12, CUSTÓDIA, FLORES E CARNAÍBA - CANAL 08, ESCADA - CANAL 27, EXU - CANAL 20, FERNANDO DE NORONHA - CANAL 07, FLORESTA - CANAL 07, GARANHUNS - CANAL 13, GRANITO - CANAL 05, IBIMIRIM CANAL 06, IGUARACY - CANAL 02, INAJÁ - CANAL 04, ITAIBA - CANAL 08, IPOJUCA CANAL 08, ITACURUBA - CANAL 04, JATOBÁ CANAL 06, JOÃO ALFREDO - CANAL 04, LAGOA DO OURO - CANAL 04, LAGOA GRANDE - CANAL 12, LIMOEIRO - CANAL 45, MIRANDIBA - CANAL 02, OURICURI - CANAL 03, PARNAMIRIM - CANAL 02, PASSIRA - CANAL 05, PESQUEIRA - CANAL 05, PETROLINA - CANAL 13, PRIMAVERA - CANAL 44, PORÇÃO - CANAL 05, QUIPAPÁ - CANAL 09, RIBEIRÃO - CANAL 07, RECIFE, OLINDA E PAULISTA CANAL 46, SALGUEIRO, SERRITA, VERDEJANTE E CEDRO - CANAL 09, SANTA CRUZ DA BAIXA VERDE - CANAL 07, SAGADINHO - CANAL 10, SALOÁ - CANAL 12, SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE - CANAL 10, SANTA MARIA DA BOA VISTA - CANAL 08, SÃO JOSÉ DO BELMONTE - CANAL 07, SÃO LOURENÇO DA MATA - CANAL 46, SÃO JOSÉ DA COROA GRANDE CANAL 40, SÃO VICENTE FERRER - CANAL 08, SÃO JOSÉ DO EGITO, ITAPETIM E BREJINHO - CANAL 10, SERRA TALHADA - CANAL 10, SERTÂNIA - CANAL 12, SIRIGI - CANAL 05, SOLIDÃO - CANAL 05, SURUBIM - CANAL 54, VOLTA DO MOXOTÓ - CANAL 11, TACARATU - CANAL 13, TAMANDARÉ - CANAL 08, TAQUARITINGA DO NORTE - CANAL 20, TIMBAÚBA - CANAL 02, TRIUNFO - CANAL 13, TUPANANTINGA - CANAL 09, VICÊNCIA - CANAL 41, VÍDEO - CANAL 18, VITÓRIA SANTO ANTÃO - CANAL 47.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
ESTREIA DO PROGRAMA LIBERDADE DE EXPRESSÃO NA TV PERNAMBUCO/TV BRASIL
O programa Liberdade Liberdade de Expressão é uma revista eletrônica local, totalmente dedicada às artes, espetáculos, políticas do setor cultural, cobertura de trabalhos sociais e culturais de ong´s, empresas privadas e públicas, movimentos da sociedade civil organizados e a opinião pública.A TV Pernambuco que num esforço conjunto do Governador Eduardo Campos e do presidente do Detelpe André Luiz Farias vem reestruturando a tv com novos equipamentos, contratação de novos profissionais, expansão de seu sinal de cobertura. Hoje atingindo mais de cinquenta porcento do Estado de Pernambuco nos seguintes canais: AFRÂNIO - CANAL 08, AFOGADOS DA INGAZEIRA - CANAL 03, ANGELIN - CANAL 06, ARARIPINA - CANAL 02, ARCOVERDE - CANAL 06, BARREIROS - CANAL 21, BETÂNIA - CANAL 04, BELÉM DE SÃO FRANCISCO - CANAL 08, BONITO - CANAL 02, BOM CONSELHO - CANAL 02, BOM JARDIM - CANAL 36, BREJO DA MADRE DE DEUS - CANAL 11, BUÍQUE - CANAL 24, CACHOEIRINHA - CANAL 07, CABROBÓ - CANAL 02, CALUMBI - CANAL 10, CAMELA - CANAL 10. CANHOTINHO - CANAL 10, CARUARU - CANAL 12, CATENDE - CANAL 10, CHÃ GRANDE CANAL 09, CORRENTES - CANAL 05, CRUZ DA MALTA - CANAL 12, CUSTÓDIA, FLORES E CARNAÍBA - CANAL 08, ESCADA - CANAL 27, EXU - CANAL 20, FERNANDO DE NORONHA - CANAL 07, FLORESTA - CANAL 07, GARANHUNS - CANAL 13, GRANITO - CANAL 05, IBIMIRIM CANAL 06, IGUARACY - CANAL 02, INAJÁ - CANAL 04, ITAIBA - CANAL 08, IPOJUCA CANAL 08, ITACURUBA - CANAL 04, JATOBÁ CANAL 06, JOÃO ALFREDO - CANAL 04, LAGOA DO OURO - CANAL 04, LAGOA GRANDE - CANAL 12, LIMOEIRO - CANAL 45, MIRANDIBA - CANAL 02, OURICURI - CANAL 03, PARNAMIRIM - CANAL 02, PASSIRA - CANAL 05, PESQUEIRA - CANAL 05, PETROLINA - CANAL 13, PRIMAVERA - CANAL 44, PORÇÃO - CANAL 05, QUIPAPÁ - CANAL 09, RIBEIRÃO - CANAL 07, RECIFE, OLINDA E PAULISTA CANAL 46, SALGUEIRO, SERRITA, VERDEJANTE E CEDRO - CANAL 09, SANTA CRUZ DA BAIXA VERDE - CANAL 07, SAGADINHO - CANAL 10, SALOÁ - CANAL 12, SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE - CANAL 10, SANTA MARIA DA BOA VISTA - CANAL 08, SÃO JOSÉ DO BELMONTE - CANAL 07, SÃO LOURENÇO DA MATA - CANAL 46, SÃO JOSÉ DA COROA GRANDE CANAL 40, SÃO VICENTE FERRER - CANAL 08, SÃO JOSÉ DO EGITO, ITAPETIM E BREJINHO - CANAL 10, SERRA TALHADA - CANAL 10, SERTÂNIA - CANAL 12, SIRIGI - CANAL 05, SOLIDÃO - CANAL 05, SURUBIM - CANAL 54, VOLTA DO MOXOTÓ - CANAL 11, TACARATU - CANAL 13, TAMANDARÉ - CANAL 08, TAQUARITINGA DO NORTE - CANAL 20, TIMBAÚBA - CANAL 02, TRIUNFO - CANAL 13, TUPANANTINGA - CANAL 09, VICÊNCIA - CANAL 41, VÍDEO - CANAL 18, VITÓRIA SANTO ANTÃO - CANAL 47.
domingo, 6 de abril de 2008

































Vamos partir. Assim é a vida...
A procura sempre vai fazer parte do meu modo de ser. Essa lição aprendo todo dia, porque só consigo ser feliz fazendo aquilo que gosto e gosto mesmo de comunicar. Seja pela pequena rádio comunitária ou qualquer outro meio. É assim que sei viver e sòmente assim vocês me verão vida afora.
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
PROGRAMA LIBERDADE DE EXPRESSÃO - ESPECIAL DE NATAL
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PROGRAMA LIBERDADE DE EXPRESSÃO - LITERATURA DE CORDEL: DIVULGADORA DA ARTE DO COTIDIANO
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A Daniela Karla Almeida, que também participaria do debate, gentilmente cedeu seu espaço para o extraordinário repentista Antonio Lisboa, que, como contraponto, ofereceu a todos uma aula sobre a diferença entre cordel e repente, enriquecendo sobremaneira o programa e mais uma vez a Dani recebe nossos agradecimentos.
DANIELA KARLA POETA
Numa conversa, com tantos cordelistas, naturalmente a poesia seria a tônica. Mas Miguel Farias iniciou o debate, perguntando à pesquisadora Verônica Moreira qual a origem da literatura de cordel.

Verônica Moreira: "a literatura de cordel começou na Idade Média, na Região de Provence, na França, foi para Portugal e dali veio para o Brasil. Podemos colocar que quem trouxe para nosso país foram os degredados, as pessoas que vieram nos navios, expulsos de Portugal, mal vistos e mal amados naquele país e nesse meio estão integrados judeus, muçulmanos e as pessoas que não eram muito gratas, muito bem vistas pela côrte. Esse pessoal trouxe esse costume de cantar as poesias. desde o começo da colonização, havia essa poesia cantada, das quais não se tem muito registro porque ela foi mal vista pela religiosidade católica - a Igreja Católica cometeu mais esse erro, ela já pediu perdão por alguns e precisa pedir por esse também - que colocou essa poesia como marginal. Na realidade era uma poesia comum, do dia a dia e que ainda hoje existe. Em Portugal nós encontramos poesias escritas ou feitas de improviso, que têm uma característica diferente da nossa, mas elas são o que a gente pode dizer, a raiz do que chegou aqui.
A respeito da poesia popular, assunto indagado pelo Miguel, foi dito pela Verônica que ela radicou-se mesmo no nordeste e você tem razão quando fala de Pernambuco, mas não só nosso Estado. Em todos os estados do Nordeste, do Maranhão à Bahia nós encontramos a poesia em todos eles. Para escrever meu livro, eu viajei mais de 600.000 km e nós encontramos essa poesia em todos os lugares, pessoas admirando poesia, editoras fazendo, então a gente está sempre encontrando essa poesia em todos os lugares.
O nome cordel é um nome perjorativo, mangador, aquela literatura que está pendurada na feira num cordel ou cordão, sendo considerada uma poesia que não tinha muito valor. Essa literatura sempre existiu, não encontrou espaço na mídia divulgadora da cultura de massa (jornal, televisão), mas nós sabemos que ela está ali viva, cotidianamente com gente escrevendo, acontecendo, na internet em diversos sites como o da Unicordel e ela está conseguindo se impor com mais força e ao mesmo tempo que ela se impõe pela qualidade do trabalho, também o faz pelos assuntos que são atuais, conseguindo assim um espaço mais forte."
Miguel abriu a palavra para que se falasse sobre a poesia de cordel, a poesia marginal e sobre os espaços onde estão acontecendo os movimentos que atraem os poetas para divulgar essa forma de arte do cotidiano.

Allan Sales - " A Unicordel foi criada em abril de 2005, pelo poeta José Honório que, além de juntar as pessoas que escrevem e publicam cordel, provoca o resgate da oralidade da literatura de cordel porque esse tipo de literatura não só era exibido nas feiras, como os poetas declamavam para seu público. Eu venho de uma tradição de palco, já que eu trabalho em teatro onde nós montamos um espetáculo poético musical, trazendo o cordel para a dimensão de um espetáculo. Tivemos a ousadia de levar o cordel para barzinhos, instalamos um ponto de cultura à revelia do poder público no Mercado da Madalena, onde as pessoas além de ouvirem música popular de toda qualidade, da mais sofisticada a mais simples, nós estamos lá. O Filipe eu conheci no Mercado da Madalena, o Adiel Luna, conheci nos bares da vida, o Altair das Quartas Literárias no Centro Luiz Freire. Então o Recife está muito bem servido desse tipo de expressão."

O Altair Leal reforçou as informações do Allan, sobre os locais de divulgação da literatura de cordel "no Mercado da Madalena, nas Quartas Literárias, no Centro Luiz Freire, na Universidade de Pernambuco, Biblioteca de Casa Amarela, Biblioteca de Afogados, o Celina de Holanda, a Assembleia Legislativa, entre outros. A poesia ferve na capital pernambucana. Poeta é o que mais tem. Se você balançar uma árvore no centro do Recife, vai cair mais poeta do que fruto. Nós somos muito bem servidos, temos muitos poetas de qualidade, muita gente que está chegando, joias brutas que estão sendo lapidados. Então Recife está muito bem servido de poetas e de espaços. Então quem for poeta e quizer recitar, deixe de ser poeta de gaveta e passe a ser poeta da oratória mesmo, porque a gente tem muita coisa para escutar e muita coisa para escrever."
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Filipe Junior - "Eu acho interessante que, particularmente em Pernambuco, nunca viveu um momento tão forte como a poesia popular. O Altair, eu e vários outros poetas, trabalhamos com oficinas e nós sentimos a escola abrindo as portas das salas de aula para repassar para os alunos o conteúdo do cordel. A formalidade do cordel, a métrica, a rima, o estilo e por isso eu acredito que na história de Pernambuco nunca se viu um momento tão especial da poesia popular e em particular o cordel."

Altair Leal - "E também quebrar esse gelo de dizer que literatura de cordel é coisa do interior. A Literatura de cordel está nas Universidades, está no centro do Recife, porque antigamente só se falava em poesia marginal, (e eu também escrevo poesia marginal) mas a importância da Unicordel é que ela fez com que a literatura popular disputasse com a poesia alternativa."

Miguel - Eu estou com um livro do Felipe Junior, "O Relicário" e eu gostaria que voce falasse sobre seu livro a também recitasse uma poesia..jpg)
Felipe Junior - O Relicário, eu lancei no Mercado da Madalena, entre tantos poetas que participaram do evento, como Joselito, Chico Pedrosa, Allan Sales, entre outros. Relicário é uma poesia nascida na minha cidade, São José do Egito e vindo prá cá prá Recife, tendo o gosto dessa sertanidade toda. O título Relicário vem das minhas poesias, que são pedras preciosas, joias raras, e nada mais justo do que colocar meu baú de relíquias, o meu Relicário, fazendo esse parâmetro com a poesia popular e a poesia urbana, colocando a poesia do sertão dentro da cidade. O livro pode ser encontrado no Box Sertanejo no Mercado da Madalena, onde a gente se reune todo sábado a partir de meio dia, improvisando poesia, declamando poesia. Tem a poesia chamada "Voltando prá casa" que eu fiz, imaginando um pouco essa cena do sertanejo que deixa a sua terra e vai em busca dos seus sonhos no sul do país, eu imaginava a cenda de um nordestino escrevendo passando pelas dificuldades lá no sul, escrevendo a carta, buscando alguns trocados, escrevendo com toda alegria prá mãe dele, escrevendo um bilhetinho dizendo:Mãe, eu tô voltando prá casa! e daí foi que surgiu a poesia Voltando prá casa
Seu moço, sou peregrino
viajante e estradeiro
não trago nessa bagagem
nem comida e nem dinheiro.
Abandonei o sertão
pois eu vi a precisão
de deixar o meu roçado
O dinheiro que se ganha
não é o que o homem sonha
prá viver despreocupado!
Seu moço peço atenção,
escute bem meu dizer
sou homem de braço forte
mas que não sabe nem ler
nunca eu entrei numa escola
confesso, pedi esmola
quando não tinha comida.
Deus que é nosso pai mais nobre,
talvez não ligue pro pobre
do geito que leva a vida.
Meu papaizinho querido,
morreu quando eu era novo
minha mãe velha e cansada,
lava roupa para o povo.
Perdi no tempo a infancia,
não dava tanta importância
queria ajudar meus pais.
Trabalhava bem cedinho,
prá arrumar um dinheirinho
e mamãe comprar o gás.
Ah seu moço, essa é a vida,
tão feliz, mas tão ingrata!
Queria voltar prá casa,
caçar lá dentro da mata.
Aqui eu só sinto frio
qualquer lugar é vazio
durmo tarde e acordo cedo
quando saio a trabalhar,
eu num sei se vou voltar
vivo sempre com esse medo!
Aqui não sinto sabor
do feijão que mamãe faz
aqui não tenho alegria
amor, carinho nem paz
muito menos amizade.
É esta a pura verdade
deste meu novo endereço.
Moço, quero voltar
lá pro Sertão e ficar
no lugar que eu conheço.
Sinto saudades de mãe,
não vou mais abandoná-la
estou até quase vendo
ela vindo lá da sala
e me abraçando no terreiro
e eu dando quatroze xêro
na cabeça bem branquinha
e ela me contemplando
dizendo quase chorando
sabia que você vinha.
Por isso faço viagem
com os trocados que juntei,
vou-me embora pro Sertão
lugar onde eu me criei!
Vou matar minha saudade
viver na simplicidade
com minha mãe e meu filho
morar na minha palhoça
e plantar minha roça
prá comer feijão e milho.
Agradeço sua atenção
e deixo o meu recado:
Cuide bem da sua mãe
nunca deixe ela de lado!
Hoje eu digo:
mamãezinha estou voltando!
pode ir se preparando
deste chão não saio mais,
pois mãe eu só tenho aquela
e quando Deus leva ela
não substitui jamais!
POESIA RECITADA PELO ALTAIR LEAL
Menino eu sou um matuto
que não sei nada de língua
essas coisas de inglês, francês, espanhol, alemão
ige, chega me dá uma íngua!
Nem português direito eu sei falar!
E as gírias, que costumam inventar?
tem cada coisa esquisita prá se ver
como os vícios de linguagem martelado
repetição de tres minuto mal falado
fica até difícil de entender!
Uma nova mania que eu acho uma tristeza!
quando alguém pergunta algo,
o outro diz: com certeza!
Do meu tempo de criança,
trago ainda na lembrança
o oi, oxente, vige, avia,
isto sim, que é português!
Não a língua de vocês, que me dá é agonia!
Já não se dá um bom dia, já não se diz obrigado,
fala-se e aí? então? como é que é meu irmão? irado?
isso é modo de falar!
Eu quero é me comunicar de uma forma decente
quero que o interlocutor,
me entenda quando eu digo: por favor!
aí sim, é linguagem de gente!
onde está o olá! tudo bem?
a senhora vai bem? obrigado
Agora mudou: diga aí doido! vamo ali resolver uma parada!
que massa meu irmão!
se ligue!
preste atenção! que danado de palavreado!
eu conheço é pru li, pru qui, pru lá, pru mode,
im riba, aculá
Esse tal de tá ligado!
quando voce se zanga é: pô meu!
se passa mulé boa é: que pité! libera aí meu irmão!
na moral! vá por mim! a mina é filé!
No meu tempo de menino, o fraseado era mais fino:
o senhor, a senhora, bença mãe, bença pai,
agora mudou: vou nessa coroa! e aí velho, numa boa?
sujou meu irmão! lavra e sai!
Esse tal de inglês que vocês às vezes usam,
eu mesmo nem me meto, língua e beiço travam!
Recusa...
Hot Dog é Cachorro Quente
brother, parece que é irmão... parente...
tem bleque, uraite, ies, no, ai love iu, te ende,
quem diabo compreende?
tão chamando um tal de titcher professor,
e eu vou tá quebrando cabeça cada vez que eu for falar
quem quizer me entender
preste atenção é só me escutar
falar linguagem do povo
sem precisar repetir de novo
falo direto, com base
Interessante são vocês!
Mal aprendem a falar português,
e já ficam inventando frases?
Deixa eu cá com meu sotaque
de caboclo nordestino
mostrando um português curtinho
pois é esse o meu destino.
Mas querer falar inglês, usar termos em francês,
bonjur, merci, aurrevoar,
usar vícios de linguagem, essas gírias, essas bobagens,
ta dana home, vai te lascar!
Allan Sales - "A Verônica falou uma coisa interessante: que a poesia de cordel desde que ele surgiu se voce for analisar toda a história do cordel, ele acompanha todos os fatos históricos, políticos, desastres naturais, tudo que aconteceu com a humanidade. Recentemente, um cidadão chamado Dom Cappio, estava fazendo uma greve de fome aí, muito sensibilizado com a transposição do São Francisco e eu escrevi isso aqui prá ele, que é um mote sugerido pelo poeta Joselito Nunes, que diz assim:
Meu sertão sofre com sede,
mas tem rio caudaloso
o bispo religioso
falando na Globo ao rei
quer ser como uma parede
barrando essa redenção
A água da salvação
do sertanejo um esteio
um bispo de rabo cheio
não quer água no sertão!
Esse bispo passa bem
tem casa e comida boa
mas meu sertão fica à toa
barrar isso não convém.
A transposição assim vem
trazer sim irrigação
do rio a preservação
faremos sem aperreio
um bispo de rabo cheio
não quer água no sertão!
O sertão da Paraíba
Pernambuco e Ceará
Um rio grande será
livrando da pindaiba
o sertão que deu furiba
No Piauí precisão,
fome, sede e exclusão
quadro social tão feio
um bispo de rabo cheio
não quer água no sertão!
Ó meu bispo, deixe disto!
o senhor apareceu,
seu marketing cresceu
volte para seu chouriço
engordar o seu toitiço
com uma farta refeição
vinho bom, sardinha e pão
e um bom queijo no recheio
bispo de rabo cheio
Adiel Luna: O BEIJO DE CATARINA
Nem mesmo toda doçura,
que há nos frutos e flores
nem os sublimes sabores
que a natureza mistura
O néctar da rapadura
o frescor da cajuina
o sabor da vitamina
e as proteínas do queijo,
não tem o gosto do beijo
da boca da Catarina
O som da manga espada
quando é tirada no pé
sentir cheirar o café
antes da mesa botada
um copo de umbuzada
às seis horas da matina
vendo a manhã matutina
o sol nascendo e festejo
não tem o gosto do beijo
da boca de Catarina!
Sentir o capim molhado
escorregar entre os dedos
ver o lodo nos lajedos
deixando o chão enfeitado
entrar no mato fechado
caçando de lazarina
ouvir o galo campina
tocando o seu realejo
tem o gosto do beijo
da boca de Catarina!
Deitar numa rede armada
debaixo de um sombreiro
subir em um cajueiro
descer de boca melada
comer milho e pamonhada
brincar em festa junina
no claro da lamparina
tudo quanto toco e vejo
não tem o gosto do beijo
da boca de Catarina
Os meus anos de criança
vividos intensamente,
meus tempos de adolescente
ainda guardo lembrança
o gozo de uma herança
um namoro na surdina
um toque de concertina
num forró de vilarejo
não tem o gosto do beijo
da boca de Catarina!
Os versos do romancista
que a namorados comove
os doces que se dissolvem
na língua da normalista
ver gado correr na pista
na vaquejada em Carpina
e os quadris da dançarina
excitando meus desejos
não tem o gosto do beijo
da boca de Catarina!
Foi convidado para participar do debate, o repentista Antonio Lisboa, para um contraponto no assunto do dia, para explicar a diferença entre cordel e repente..jpg)
Antonio Lisboa - "A cantoria e o cordel estão de certa forma aproximados na questão das estruturas que usamos praticamente modalidades que são comuns tanto no cordel como na cantoria. Na cantoria nós usamos a sextilha e o cordel também usa a sextilha que é uma modalidade de seis versos e de sete sílabas cada um verso com a distribuição de rimas na segunda, na quarta e na sexta, como também nós usamos as décimas, as estrofes de sete sílabas e até as oitavas. Essas modalidades são comuns à cantoria e ao cordel. Pode também usar no cordel e na cantoria, outras modalidades como no caso da décima também. Não são comuns no cordel, as décimas, são mais comuns as estrofes de sete sílabas e de seis sílabas, mas se usam também várias modalidades. A cantoria tem uma quantidade bem maior de modalidades com estrofes bem definidas.
Outra diferença básica é ser a cantoria toda cantada de improviso e o cordel todo escrito e o cordel todo lido e a cantoria toda cantada acompanhada pela viola e o cordel não precisa necessáriamente de instrumento. Evidente que se pode musicar um cordel, pode teatralizar um cordel, mas não há necessidade porque o cordel é para ser lido ou para ser cantado e a cantoria somente improvisado. Essa é bàsicamente a diferença. Mas a gente tem vinculação da cantoria com o cordel quando voce verifica ao longo da história da cantoria que o cordel teve uma passagem muito importante pela história da cantoria com a questão das pelejas de cantadores famosos que transformaram algumas cantorias em cordel. Por exemplo, um cantador se juntou com outro e escreveu a pela do Cego Aderaldo e Zé Pretinho, que é escrita por um cunhado de Zé Pretinho e não tem nenhuma estrofe do Cego Aderaldo naquela peleja e o Zé Pretinho nunca existiu. Era um cantador fictício, que o poeta criou para a pela de Aderaldo. O romance ou o cordel ou folheto, como queiram chamar, ele também foi cantado pelos cantadores na cantoria e tiveram toda essa aproximação. Por isso que hoje ainda os pesquisadores fazem essa confusão de chamar cordel de cantoria e cordelista de repentista e repentista de cordelista e as pessoas terminan perdidas sem saber diretamente qual a verdade. Mas se voce for ver direitinho, tanto a cantoria como o cordel eles têm regras bem definidas que dá para a pessoa notar que há uma diferença. Cantoria e cordel são aproximados, mas não são a mesma coisa.
Como leigo, Miguel perguntou se o repentista e o cordelista eram diferentes.
Antonio Lisboa - "Não necessàriamente. O cordelista pode ser repentista mas não é necessário porque o cordel ele vai escrever e não precisa de improvisar. Ele não tem que ter a versatilidade que tem o repentista e a prática de improvisar. O repentista, da mesma forma que ele escreve e canta, ele pode também escrever cordel porque ele improvisa, é mais rápido e no cordel tem mais tempo para pensar, então é mais fácil o repentista ser cordelista, do que o cordelista ser repentista, mas eu até acho que qualquer cordelista na hora que começar a praticar ele pode se tornar repentista, com o tempo, com a prática ele vai ser repentista. Se quizer viver a vida toda escrevendo, ele pode ser um cordelista ou poeta de bancada, como é chamado."
Miguel pediu à pesquisadora Verônica Moreira, que falasse sobre o seu livro O Canto da Poesia, que tem uma proposta educativa.
Verônica Moreira - O Canto da Poesia tem toda uma linguagem didática, facilmente adaptada para escolas e todo tipo de instituição educacional, inclusive apresentando toda essa diferenciação que o Antonio Lisboa apresentou, sobre as siferenças entre o poeta cordelista e o poeta repentista. O livro também traz biografia dos primeiros cordelistas e dos primeiros cantadores, que eram repentistas e das primeiras mulheres repentistas, registro de diversas modalidades de cantorias e sobre outros tipos de poesia popular como o côco de embolada. O livro também está à venda no Mercado da Madalena, e na Editôra Bagaço, em Recife.

O convidado especial do programa foi o poeta Arnaldo Ferreira, pai do poeta Adiel Luna, que também recitou uma poesia para encerrar com brilhantismo o Programa Liberdade de Expressão
NUNCA VI HOMEM NO MUNDO PRÁ SER MOLE COMO EU
É muito certo um ditado
que disse um amigo meu
Nunca vi homem no mundo
prá ser mole como eu
No começo de janeiro
preparei uma palhoça
fui trabalhar numa roça
por moleza não choveu
o pezinho que nasceu
foi na beira de um riacho
e no primeiro cacho
a lagarta apareceu
É muito certo o ditado
que disse um amigo meu
nunca vi homem no mundo
prá ser mole como eu
Eu arranjei uma noiva
tirei todo o documento
pedi ela em casamento
o pai com gosto me deu
quando o padre nos benzeu
e eu pensave em ser feliz,
na saída da matriz
minha noiva faleceu
É muito certo o ditado
que disse um amigo meu
nunca vi homem no mundo
prá ser mole como eu!
Casei-me a segunda vez
com uma moça já idosa
essa muito caprichosa
com os troços que recebeu
Depois desapareceu
prás bandas do Ceará
vive com outro prá lá
quem atolou-se fui eu.
É muito certo o ditado
que disse um amigo meu
nunca vi homem no mundo
prá ser mole como eu
Inventei uma matança
pensando em dar resultado
comprei logo um boi fiado
a um conhecido meu
quando o turino entendeu
que ia entrar no machado
entrou no mato fechado
e nunca mais apareceu
É muito certo o ditado
que disse um amigo meu
Não existe homem no mundo
prá ser mole como eu
Mãe me deu uma galinha
e acompanhava um pintinho
o bichinho empenadinho
com tres meses ele cresceu
um menino apareceu
por detrás da capoeira
e matou com a baladeira
o pintinho que mãe me deu
É muito certo um ditado
que disse um amigo meu
Não existe homem no mundo
prá ser mole como eu
Pai me deu uma cabrinha
acompanhou um cabritinho
o bichinho tava grandinho
com tres meses ele morreu
o fraco couro que deu
espichei no pé do morro
veio um diabo de um cachorro
o couro magro comeu
É muito certo o ditado
que disse um amigo meu
nunca vi homem no mundo
prá ser mole como que eu
LITERATURA DE CORDEL - ANOTAÇÕES EXTRAÍDAS DO WIKIPEDIA
A literatura de cordel é um tipo de poesia popular, originalmente oral, e depois impressa em folhetos rústicos expostos para venda pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome. São escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados ou não de viola. Pelo fato de funcionarem como divulgadoras da arte do cotidiano, das tradições populares e dos autores locais (lembre-se a vitalidade deste género ainda no nordeste do Brasil), a literatura de cordel é de inestimável importância na manutenção das identidades locais e das tradições literárias regionais, contribuindo para a manutenção do folclore nacional; Pelo fato de poderem ser lidas em sessões públicas e de atingirem um número elevado de exemplares distribuídos, ajudam na disseminação de hábitos de leitura e lutam contra o analfabetismo.
(Literatura de cordel Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. )Histórico
A história da literatura de cordel começa com o romanceiro luso-espanhol da Idade Média e do Renascimento. O nome cordel está ligado à forma de comercialização desses folhetos em Portugal, onde são pendurados em cordões, lá chamados de cordéis. Inicialmente, eles também contém peças de teatro, como as de autoria de Gil Vicente (1465-1536).Foram os portugueses que trouxeram o cordel para o Brasil, na segunda metade do século XIX. Hoje muitos folhetos ficam expostos horizontalmente em balcões ou tabuleiros. Embora seja pouco freqüente, também há criações de cordel em prosa. Esse tipo de literatura popular existe também na Sicilia (Itália), na Espanha, no México e em Portugal. Na Espanha é chamada de pliego de cordel ou pliegos sueltos (folhas soltas).E esse ano de 2007 comemora-se os 100 anos da existencia da literatura de Cordel
Os temas incluem fatos do cotidiano, episódios históricos, lendas e temas religiosos. As façanhas do cangaceiro Lampião (Virgulino Ferreira da Silva, 1900-1938) e o suicídio do presidente Getúlio Vargas (1883-1954) são alguns dos assuntos de cordéis de maior tiragem. É comum os autores criarem seus versos improvisadamente diante de um acontecimento ou uma pessoa que queiram homenagear. As formas variaram pouco ao longo do tempo.
No Brasil, a literatura de cordel é produção típica do Nordeste, sobretudo nos estados de Pernambuco, da Paraíba e do Ceará. Costuma ser vendida em mercados e feiras pelos próprios autores. Em outros Estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, é encontrada em feiras de produtos nordestinos. Nos grandes centros, já há impressões mais sofisticadas. Mas de modo geral a produção está em declínio.
Os poetas Leandro Gomes de Barros (1865-1918) e João Martins de Athayde (1880-1959) estão entre os principais autores.
Pelo fato de ser literatura distribuída nas ruas, feiras e botequins, pelo tipo de literatura a que se dedica (essencialmente poesia popular, mas também romances sentimentais) e pelo tipo de linguagem em que circula (bastante simples, com os traços da fala coloquial, e próxima do modo de falar do povo do sertão), a literatura de cordel foi, durante muito tempo, pouco apreciada. Todavia, este tipo de literatura apresenta vários aspectos interessantes e dignos de destaque:
As suas gravuras, chamadas xilogravuras, representam um importante espólio do imaginário popular;
A tipologia de assuntos que cobrem, crítica social e política e textos de opinião, elevam a literatura de cordel ao estandarte de obras de teor didáctico e educativo.
Poética
Quadra - Estrofe de quatro versos.
A quadra é mais usada com sete sílabas. Obrigatoriamente tem que haver rima em dois versos (linhas). Cada poeta tem seu estilo. Um usa rimar a segunda com a quarta. Exemplo:
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá (2)
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá (4).
Outro prefere rimar todas as linhas, alternando ou saltando. Pode ser a primeira com a terceira e a segunda com a quarta, ou a primeira com a quarta e a segunda com a terceira. Vejamos estes exemplos de Zé da Luz: (ABAB ou ABBA)
E nesta constante lida
Na luta de vida e morte
O sertão é a própria vida
Do sertanejo do Norte
Três muié, três irimã,
Três cachorra da mulesta
Eu vi nun dia de festa
No lugar Puxinanã.
Sextilha - Estrofe ou estância de seis versos.
Estrofe de seis versos de sete sílabas, com o segundo, o quarto e o sexto rimados; verso de seis pés, colcheia, repente. Estilo muito usado nas cantorias, onde os cantadores fazem alusão a qualquer tema ou evento e usando o ritmo de baião. Exemplo:
Quem inventou esse "S"
Com que se escreve sauDAde 1
Foi o mesmo que inventou
O "F" da falsiDAde 2
E o mesmo que fez e "I"
Da minha infeliciDAde 3
Septilha - Estrofe (rara) de sete versos; setena (de sete em sete). Estilo muito usado por Zé Limeira, o Poeta do Absurdo.
Eu me chamo Zé Limeira
Da Paraiba falada
Cantando nas escrituras
Saudando o pai da coaiada
A lua branca alumia
Jesus, Jose e Maria
Três anjos na farinhada.
Napoleão era um
Bom capitão de navio
Sofria de tosse braba
No tempo que era sadio,
Foi poeta e demagogo
Numa coivara de fogo
Morreu tremendo de frio.
Na setilha ele usa o estilo de rimar a segunda linha com a quarta e a sétima e a quinta com a sexta, deixando livres a primeira e a terceira.
Oitava - Estrofe ou estância (grupo de versos que apresentam, comumente, sentido completo) de oito versos: oito-pés-em-quadrão. Oitavas-a-quadrão.
Como o nome já sugere, a oitava é composta de oito versos, ou oito linhas ou duas quadras, com sete sílabas. A rima na oitava difere das outras. O poeta usa rimar a primeira com a segunda e terceira, a quarta com a quinta e oitava e a sexta com a sétima. Todas as estrofes são encerradas com o verso: Nos oito pés a quadrão.
Vejamos versos de uma contaria entre José Gonçalves e Zé Limeira: - (AAABBCCB)
Gonçalves:
Eu canto com Zé Limeira
Rei dos vates do Teixeira
Nesta noite prazenteira
Da lua sob o clarão
Sentindo no coração
A alegria deste canto *
Por isso é que eu canto tanto *
NOS OITO PÉS A QUADRÃO
Limeira:
Eu sou Zé Limeira e tanto
Cantando por todo canto
Frei Damião já é santo
Dizendo a santa missão
Espinhaço e gangão
Batata de fim de rama *
Remédio de velho é cama *
NOS OITO PÉS A QUADRÃO.
Quadrão - Oitava na poesia popular, cantada, na qual os três primeiros versos rimam entre si, o quarto com o oitavo, e o quinto, o sexto e o sétimo também entre si.
Décima - Estrofe de dez versos de sete sílabas, cujo esquema rimático é, mais comumente, ABBAACCDDC, empregada sobretudo na glosa dos motes, conquanto se use igualmente nas pelejas e, com menos freqüência, no corpo dos romances.
Geralmente nas pelejas é dado um mote para que os violeiros se desdobrem sobre o mesmo.
Vejamos e exemplo com José Alves Sobrinho e Zé Limeira:
Mote:
VOCÊ HOJE ME PAGA O QUE TEM FEITO
COM OS POETAS MAIS FRACOS DO QUE EU.
Sobrinho:
Vou lhe avisar agora Zé Limeira B
Vou lhe amarrar agora a mão e o pé >B
E lhe atirar naquela capoeira C
Você hoje se esquece que nasceu >C
E se lembra que eu sou bom e perfeito >D
Você hoje me paga o que tem feito >D
Com os poetas mais fracos do que eu. >C
Zé Limeira:
Mais de trinta da sua qualistria
Não me faz eu correr nem ter sobrosso
Eu agarro a tacaca no pescoço
E carrego pra minha freguesia
Viva João, viva Zé, viva Maria
Viva a lua que o rato não lambeu
Viva o rato que a lua não roeu
Zé Limeira só canta desse jeito
Você hoje me paga o que tem feito
Com os poetas mais fracos do que eu.
Galope à beira-mar - Estrofe de 10 versos hendecassílabos (que tem 11 sílabas), com o mesmo esquema rímico da décima clássica, e que finda com o verso "cantando galope na beira do mar" ou variações dele. Termina, sempre, com a palavra "mar".
Às vezes, porém, o primeiro, o segundo, o quinto e o sexto versos da estrofe são heptassílabos, e o refrão é "meu galope à beira-mar". É considerado o mais difícil gênero da cantoria nordestina, obrigatoriamente tônicas as segunda, quinta, oitava e décima primeira sílabas.
Sobrinho:
Provo que eu sou navegador romântico
Deixando o sertão para ir ao mirífico
Mar que tanto adoro e que é o Pacífico
Entrando depois pelas águas do Atlântico
E nesse passeio de rumo oceânico
Eu quero nos mares viver e sonhar
Bonitas sereias desejo pescar
Trazê-las na mão pra Raimundo Rolim
Pra mim e pra ele, pra ele e pra mim
Cantando galope na beira do mar.
Limeira:
Eu sou Zé Limeira, caboclo do mato
Capando carneiro no cerco do bode
Não gosto de feme que vai no pagode
O gato fareja no rastro do rato
Carcaça de besta, suvaco de pato
Jumento, raposa, cancão e preá
Sertão, Pernambuco, Sergipe e Pará
Pará, Pernambuco, Sergipe e Sertão
Dom Pedro Segundo de sela e gibão
Cantando galope na beira do mar.
Martelo
Estrofe composta de decassílabos, muito usada nos versos heróicos ou mais satíricos, nos desafios. Os martelos mais empregados são o gabinete e o agalopado.
Martelo agalopado - Estrofe de dez versos decassílabos, de toada violenta, improvisada pelos cantadores sertanejos nos seus desafios.
Martelo de seis pés, galope - Estrofe de seis versos decassilábicos. Também se diz apenas agalopado.
Redondilha
Antigamente, quadra de versos de sete sílabas, na qual rimava o primeiro com o quarto e o segundo com o terceiro, seguindo o esquema abba.
Hoje, verso de cinco ou de sete sílabas, respectivamente redondilha menor e redondilha maior.
Carretilha
Literatura popular brasileira - Décima de redondilhas menores rimadas na mesma disposição da décima clássica; miudinha, parcela, parcela-de-dez.
Métrica e Rima
Métrica: Arte que ensina os elementos necessários à feitura de versos medidos. Sistema de versificação particular a um poeta. Contagem das sílabas de um verso. Verso é a linguagem medida. Para medir devemos ajuntar as palavras em número prefixado de pés. Chama-se pé uma sílaba métrica. O verso português pode ter de duas a doze sílabas. Os mais comuns são os de seis, sete, oito, dez e doze pés. Como o verso mais comum, mais espontâneo é o de sete pés, comecemos nele a contagem métrica. Exemplo:
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.
Eis como se contam as sílabas:Mi nha ter ra tem pal mei
Não contamos a sílaba final "ras" porque o verso acaba no último acento tônico. O verso a quem sobra uma sílaba final chama-se grave. Aquele a quem sobram duas sílabas finais chama-se esdrúxulo. O terminado por palavra oxítona chama-se agudo, como o segundo e o quarto do exemplo supra. Eis como se decompõe o segundo verso:On de can ta o sa bi áNesse verso "ta o" se lêem como t'o formando um pé, pela figura sinalefa (fusão) . Sabiá, modernamente, se deve contar dissílabo, porque biá, em duas silabas, forma hiato. Em geral devemos sempre evitar o hiato, quer intraverbal, quer interverbal. Os autores antigos e os modernos pouco escrupulosos toleram muitos hiatos.
Sinalefa: Figura pela qual se reúnem duas sílabas em uma só, por elisão, crase ou sinérese.
Sinérese: Contração de duas sílabas em uma só, mas sem alteração de letras nem de sons, como, p. ex., em reu-nir, pie-da-de, em vez de re-u-nir, pi-e-da-de.
As aves que a qui gor jei Não gor jei am co mo lá
No caso o verso é um heptassílabo, porque só contamos sete sílabas. Se colocarmos uma sílaba a mais ou a menos em qualquer dos versos, fica dissonante e perde a beleza e harmonia.Vale lembrar que quando a palavra seguinte inicia com vogal, dependendo do caso, pode haver a junção da sílaba da primeira com a segunda, como se faz na língua francesa. Exemplo:Para verificar a quantidade de silabas podemos contar nos dedos.
Vejamos neste trechinho de Patativa do Assaré:
Nes ta noi te pas sa gei ra1 2 3 4 5 6 7
Há coi sa que mui to pas ma1 2 3 4 5 6 7
Um mote:Vou fa zer se re na ta na cal ça da1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Da me ni na que a mei na mi nha vi da1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Rima
Rimas consoantes: As que se conformam inteiramente no som desde a vogal ou ditongo do acento tônico até a última letra ou fonema. Exemplo: fecundo e mundo; amigo e contigo; doce e fosse; pálido e válido; moita e afoita.
Rimas toantes: Aquelas em que só há identidade de sons nas vogais, a começar das vogais ou ditongos que levam o acento tônico, ou, algumas vezes, só nas vogais ou ditongos da sílaba tônica. Exemplo: fuso e veludo; cálida e lágrima; "Sem propósito de sonho / nem de alvoradas seguintes, / esquece teus olhos tontos / e teu coração tão triste." Cecília Meireles, Obra Poética, p. 516).
No caso da literatura de cordel nordestina, faz parte da tradição do gênero o uso de rimas consoantes. Se um folheto de cordel usa rimas toantes, o conhecedor de cordel pensa logo que o autor daquele folheto desconhece a existência destas regras. Um cordel escrito assim pode até ser um grande poema, mas não se pode dizer que se trata de 'um cordel autêntico'.
PROGRAMA LIBERDADE DE EXPRESSÃO - NOSSOS CONVIDADOS - DANÇA - EXPRESSÃO DA FORMAÇÃO DE UM POVO
MUITO OBRIGADO A TODOS
PROGRAMA LIBERDADE DE EXPRESSÃO - DANÇA - EXPRESSÃO DA FORMAÇÃO DE UM POVO
A dança é uma das três principais artes cênicas da Antigüidade, ao lado do teatro e da música. Caracteriza-se pelo uso do corpo seguindo movimentos previamente estabelecidos (coreografia), ou improvisados (dança livre). Na maior parte dos casos, a dança, com passos cadenciados é acompanhada ao som e compasso de música e envolve a expressão de sentimentos potenciados por ela.
A dança pode existir como manifestação artística ou como forma de divertimento e/ou cerimônia. Como arte, a dança se expressa através dos signos de movimento, com ou sem ligação musical, para um determinado público, que ao longo do tempo foi se desvinculado das particularidades do teatro.
Atualmente, a dança se manifesta nas ruas em eventos como "Dança em Trânsito", sob a forma de vídeo, no chamado "vídeodança", e em qualquer outro ambiente em que for contextualizado o propósito artístico.
Para conversar sobre a Dança como Forma de Expressão da Formação de um Povo, Miguel Farias convidou para o Programa Liberdade de Expressão, profissionais que por suas histórias e pelo trabalho que desenvolvem, deram um enfoque geral sobre esta arte corporal, levando para o telespectador, suas experiências e vivências, evidentemente, sem o apuro técnico que cada um poderia ter dado, mas com informações importantes para todos aqueles que apreciam dançar como profissão ou como forma de entretenimento.

UMA GERAL COM OS CONVIDADOS DO PROGRAMA LIBERDADE DE EXPRESSÃO: GORDO DE OLINDA (QUE NÃO DANÇA NADA!) MIGUEL FARIAS, FRED SALIM, CHRISTIAN SERAFIM E RENATA MACHADO. (foto de Maristela Farias)
Evidente que o Programa Liberdade de Expressão não pretende esgotar o assunto porque é nossa meta detectar assuntos e profissionais, para que em outras oportunidades repassem seus conhecimentos, de forma mais compacta e mais direcionado aos segmentos interessados. O assunto dança é inesgotável, quando convidamos um bailarino do quilate de FRED SALIM, que tem, sem dúvidas, seu nome escrito na história da dança do Estado de Pernambuco e levado mundo a fora, com determinação e profissionalismo.

FRED SALIM (foto de maristela farias)
Falar de FRED SALIM e dizer que ele é Bailarino, Coreógrafo, Diretor Artístico, Maitre de Ballet, Produtor e Funcionário da Fundação de Cultura da Prefeitura da Cidade do Recife, Técnico em Artes Cénicas com especialização em Dança, atualmente lotado na Secretaria de Cultura no Cargo de Gerente Operacional de Planejamento, Produção e Execução da Programação Cultural do Espaço Cultural Pátio de São Pedro e delegado de Pernambuco do Conselho Brasileiro da Dança é muito pouco, porque este currículo foi construído a partir de um momento em que todos os olhares se voltavam para aquele jovem que se atrevia a subir nos palcos de tvs, teatros e onde quer que houvessem espectadores para assistir um grande espetáculo de dança. Poderíamos dizer que FRED SALIM era, à época, um corajoso profissional exposto aos olhos e à crítica da sociedade e que sempre soube se impor a quaisquer barreiras que se lhe aparecessem no caminho.
Afastado dos palcos, é um mestre. Sua carreira, seu trabalho, seu preciosismo tem que ser, não revelado, porque o mundo artístico o conhece muito bem, mas deve ser exposto, como sempre foi, à mídia, para que jovens bailarinos tenham, com sua experiência, um exemplo de uma profissão encarada com seriedade, disciplina, humildade e sucesso.

RENATA MACHADO (foto de maristela farias)
A CIA. PERNAMBUCANA DE DANÇA DO VENTRE, convidada para nossa conversa sobre a dança, representada pela Renata Machado, que além do belo espetáculo, enriqueceu o programa também com a experiência da jovem professora, que com mais oito amigas, todas professoras de dança do ventre, permitiram que se vivenciasse o espírito do trabalho de uma dança que, por tradição é executada exclusivamente por mulheres desde 7 mil anos atrás e cujos rituais, eram comumente atribuídos à deusa Ísis, em agradecimento à fertilidade feminina e às cheias do rio Nilo, as quais representavam fartura de alimentos para a região. A dança do ventre tem atravessado gerações, ultrapassado barreiras culturais e está presente nos quatro cantos do planeta, sempre apresentada sem perder sua marca original: a sensualidade.
O grupo também trabalha com um estilo considerado moderno, com apresentações mais dinâmicas e utilização de instrumentos de percurssão árabes, diferente do modelo clássico que é mais lento e as músicas são cantadas. As nove mulheres que formam a Cia Pernambucana de Dança do Ventre são professoras de academias locais. Com a experiência diária da atividade, cada uma trouxe idéias e possibilidades para o grupo, que foi criado oficialmente em março deste ano. Antes da Cia existir, Renata, ao lado de duas outras professoras formavam o Trio Mahaila, que significa dançar em hebraico.
Mesmo com o pouco tempo de existência, a Cia recebeu o título de Grupo Revelação, no 2° Encontro Nordeste de Dança do Ventre, em abril, na cidade de Natal; e foi Destaque na Mostra Brasileira de Dança, em julho, no Recife. Até o fim do ano, a agenda das moças está repleta de compromissos e apenas no mês de dezembro serão cinco compromissos já confirmados com destaque para o Festival Árabe; o Encontro de Modalidades de Dança; a Caravana Nordeste de Dança do Ventre, além de outros. Todos esses compromissos acontecem no Recife.
Telefone de contato: 32276373
site: http://www.hotlink.com.br/galeria/galeria-show.php?id=55
Capítulo à parte, para a apresentação da HARUMI, que estava acompanhada da mãe, a Daniela, tremendamente orgulhosa com o talento da menina. As fotos do programa e o vídeo vão ser mandados para o pai coruja, que teve a felicidade de escolher o nome da filha. HARUMI = PRIMAVERA e foi uma primavera ve-la dançar vestida de amarelo, linda!

HARUMI (foto de Maristela Farias)

DANIELA, MÃE DE HARUMI, RISONHA E ORGULHOSA COM O TALENTO DA FILHOTA LINDA.
HARUMI, NO PROGRAMA LIBERDADE DE EXPRESSÃO (Fotos de Anderson Silva)
Também no Liberdade de Expressão, recebemos o CHRISTIAN SERAFIM, representante do CENTRO DE DANÇAS JAIME ARÔXA, em Recife, na Avenida Caxangá é uma referencia da Dança de Salão, reunindo aulnos em diversos cursos. Ritmos como Samba de Gafieira, Pagode, Samba Rock, Forró, Tango, Bolero, Chá-chá-chá, Merengue e Country.Você pode aprender qualquer um desses ritmos em cursos regulares, workshops, aulões, cursos de férias ou mesmo em aulas particulares. São vários professores, todos formados por Jaime Arôxa, além de assistentes e bolsistas que garantem o acompanhamento ideal e uma didática eficaz.
O sucesso do Centro de Dança Jaime Arôxa está na filosofia de trabalho e método de ensino, onde cada movimento é ensinado separadamente, facilitando assim o aprendizado.Quem faz aulas de dança no CDJA aprende consciência corporal, postura, equilibrio e musicalidade, unindo a isso tudo perfeição nos movimentos e passos.Essa metodologia de ensino, consagrada em todo o país, alia dinâmica e técnica com sociabilidade e diversão. Os alunos aprendem a dançar e, de quebra, ganham uma vida mais leve, um corpo mais saudável e uma mente livre de estress.

O Christian Serafim nos falou em off, sobre o já tradicional CURSO DE VERÃO, destinado a todos aqueles que amam a dança de salão e que será realizado na semana de 26 a 29 de dezembro, dedicado aos amantes da dança, não necessariamente professores. Nesse curso será trabalhada a dança pessoal dos participantes no que se refere à condução e contato, ritmo e musicalidade, postura e equilíbrio, visando o crescimento da qualidade de sua dança.
Com a intenção de valorizar ainda mais o seu certificado de participação nos cursos de verão da EDJA, continuarão a exigir 80% de freqüência para emissão do certificado. E as damas sem par terão a oportunidade de contratar um bolsista para acompanhá-la durante o curso.
As maiores escolas no Brasil têm como base o método desenvolvido por JAIME, o que comprova a sua eficácia e conseqüente valorização ao longo do tempo.
A PROGRAMAÇÃO
Além dos tradicionais ritmos, conceitos como o contato, improviso e interpretação nunca ficam de fora. Sem falar nas famosas e tão elogiadas conversas com o JAIME, onde o aluno poderá tirar suas dúvidas e aprender com as experiências de outros profissionais. O curso terá carga horária de 24 horas:
CURSO DE VERÃO – Semana de 26/12 a 29/12:
Condução e Contato, Musicalidade, Postura e Equilíbrio, dança pessoal.
19:00h às 22:00h de quarta a sábado
FÁDIA, DO CENTRO DE DANÇAS JAIME ARÔXA, DANIELA, MÃE DA HARUMI, MARCOS E CAROL, DA PRODUÇÃO DA CIA. PERNAMBUCANA DE DANÇA DO VENTRE
Ainda estava presente o GORDO DE OLINDA, que não dança nada, mas é um roqueiro de primeira que está fazendo show, toda quinta-feira lá na Pitombeira em Olinda, junto com outros roqueiros, para uma plateia super jovem.
MIGUEL E O GORDO DE OLINDA
Colhemos durante o programa, depoimentos que, transcritos a seguir, nos dão uma ideia da correção com que encaramos a importância de nossos convidados, principalmente destacando que, as experiências são tão importantes, que faremos questão de retornar com alguns assuntos e convidados, porque o assunto não se completou pela importância dos convidados.

MIGUEL FARIAS
Iniciando o debate, Miguel Farias, falou que "a dança além do seu lado profissional e artístico, também liberta a alma, faz feliz e eu queria saber de vocês o que é DANÇA, pelo lado profissional, pelo lado artístico, a dança pela diversão, a dança para curar a alma, enfim, o que é DANÇA, na opinião de vocês?"
RENATA MACHADO CIA. PERNAMBUCANA DE DANÇA DO VENTRE
CIA. PERNAMBUCANA DE DANÇA DO VENTRE
Segundo RENATA MACHADO, da CIA. PERNAMBUCANA DE DANÇA DO VENTRE "A dança é expressar-se sem palavras. O corpo fala sem precisar de palavras, então a dança mais do que isso, é uma representação da expressão e a dança do ventre, particularmente, ela além de ter os benefícios físicos, ela tem os benefícios emocionais, espirituais e terapêuticos. Muitas alunas quando entram nas salas, chegam reprimidas, cansadas do trabalho, e quando fazem as aulas, saem de outro geito. Então a Dança do Ventre, de um modo particular, transforma a mulher no seu emocional completo."
CHRISTIAN SERAFIM - CENTRO DE DANÇAS JAIME ARÔXA
Para CHRISTIAN SERAFIM, do CENTRO DE DANÇAS JAIME ARôXA, "a dança tem esse poder de transformar a pessoa, temos alunos, que no seu cotidiano de vida têm uma maneira de ser e quando fazemos algum evento na escola e eles convidam os amigos, estes ficam impressionados com a soltura, com a mudança, porque ali naquele salão elas se divertem e podem tudo".
FRED SALIM
"A dança prá mim é tudo. Ela é a vida, é a alma, ela é expressão, ela é a música, é o teatro, ela é tudo", assim começou o Fred Salim, para afirmar: Existem dois tipos de dança, a dança que se faz como terapia, para tratamento; a dança que se faz sem nenhuma pretensão na sua vida, porque você gosta da dança, mas infelizmente não é assim Dentro da dança são poucas as pessoas que são escolhidas para ser bailarino, porque precisa técnica, trabalho, concentração, precisa uma série de coisas que a dança exige. Dançar exige muita disciplina. A gente repete aquele movimento dez, quinze vezes todos os dias tem que fazer aula, quer dizer, a dança prá terapia é maravilhosa, realmente cura as pessoas e também se você quer fazer dança sem nenhuma pretensão, você também pode fazer dança, serve prá tudo, mas como profissional, se você quer fazer, tem que levar a sério, você tem que fazer muitas aulas, você tem que estudar muito, você tem que conhecer história de outras artes, porque não é só dança, tem que conhecer história da arte, do teatro, tudo você tem que conhecer para ser um bailarino profissional."
MIGUEL FARIAS E FRED SALIM
Miguel - Verdade, inclusive na história da própria humanidade, a dança vem logo no início da formação do povo, como um dos primeiros pontos de agregação, que além de ser uma forma de expressão artística, existe o lado das culturas mais tradicionais, a questão dos rituais e aí fica a pergunta dirigida aos nossos tres convidados, neste debate sobre a DANÇA COMO EXPRESSÃO DA FORMAÇÃO DE UM POVO, como vocês vêm a dança na nossa cultura ocidental, digamos, na Região Metropolitana do Recife, essa cidade cosmopolita, como é tratada a dança? Existe uma Secretaria no Governo do Estado, nas Prefeituras, porque todo mundo canta e todo mundo tem que dançar e, na minha posição de leigo, vejo a dança um pouco desprestigiada, MIGUEL FARIAS COM O GORDO DE OLINDA, FRED SALIM, CHRISTIAN SERAFIM E RENATA MACHADO
FRED SALIM - "Eu acho assim: realmente não existe uma secretaria específica para a dança. Existem as Secretarias de Cultura (governo e prefeitura), e em algumas, assessores de dança, mas eu acho que no momento, a dança em Recife nunca esteve tão feliz, tão bem em todas as modalidades, principalmente, o que me deixa muito feliz, não só a dança clássica, como a dança popular, a dança que vem do povo, o caboclinho, o maracatu. Nunca se teve tanta ascenção assim na dança como hoje. Acho que o Recife está numa efervescência, porque nós temos na cidade grandes companhias de dança. Na área contemporânea, principalmente, porque o Recife era o clássico ou o popular, e a cidade está numa felicidade porque a dança nunca esteve tão bem! Tanta gente fazendo dança, a Prefeitura tem colaborado muito, tem ajudado bastante e eu acho que a gente, nós que participamos da dança, temos que ser independentes de secretaria de cultura ou de fundação de cultura, acho que a dança tem que existir como dança, temos que trabalhar muito. Há muita diferença entre da dança profissional da dança das escolas, estas são subvencionadas pelos seus próprios alunos. O que é batalhador mesmo, o Balé de Cultura Nagra do Recife, o Daruê Malungo, o Majê Molê, a Companhia dos Homens, O Grupo Experimental, Maria Paula Costa Rêgo, o Balé Popular do Recife, Brincantes, todas essas companhias de dança vencem uma batalha muito grande para se manter na cidade do Recife, mas tem se mantido e tem se conservado. É um momento especial, por exemplo, a dança do ventre tem ótimos trabalhos aqui em Recife".
RENATA MACHADO - CIA PERNAMBUCANA DE DANÇA DE VENTRE
RENATA "concordando com Fred, realmente aqui em Recife a dança está em seu momento feliz, inclusive ontem nós participamos de um Festival de Dança do Ventre, que é como ele diz, o próprio grupo, a própria companhia faz os movimentos de dança e nos festivais em Recife nós entramos em contato com muitas outras dançarinas e, falando em cultura, voltando ao que voce falou lá atrás, a cultura da dança do ventre lá no ocidente é bem sagrada, começou em rituais religiosos em agradecimento a deusa Ísis pelo poder que a mulher tem de gerar um filho, por isso esses movimentos ondulatórios no ventre, por isso que a veste deixa o ventre à mostra, que é justamente para agradecer por esse poder que nós mulheres temos. Com a invasão dos árabes, a dança do ventre tomou ares mais festivos o vindo para o ocidente, houveram muitas transformações. Bailarinas americanas dançam com movimentos mais largos, mais expressivos, as bailarinas do sul do Brasil dançam mais curtinhas, com movimentos mais fechadinhos, aqui em Recife, gostamos de movimentos tremidos, movimentos no quadril, na barriga que chamam mais atenção, até por influencia do nosso ritmo, do frevo, e as pessoas que assistem gostam desses movimentos mais cadenciados e afirmou que não existe uma preocupação com os rituais, até por falta de conhecimento e de participação no tipo de cultura originária da dança do ventre, apesar de existir uma forte ligação com a cultura.
Miguel - "Cristiano, quais os ritmos mais dançados em Recife?CHRISTIANO EM UM DE SEUS DEPOIMENTOS
CRISTIANO - "Complementando e respondendo sua pergunta, tenho que falar de meu mestre Jaime Arôxa, que já rodou o mundo todo e em lugar nenhuma existe um povo tão dançante como o povo do Recife e uma coisa que ele sempre fala,é que aqui, quando alguém escuta uma música, seja ele quem for, e em qualquer situação que esteja, ele começa a dançar, no mundo você não vê isso, só aqui e eu tenho tido a oportunidade de viajar e realmente eu tenho percebido isso. Ao reabrir a escola aqui, com o nome dele, sempre nos perguntamos porque aqui em Recife não conseguimos atingir um certo número de alunos? Por que tão poucos alunos aqui em Recife? A resposta vem rápido: a cultura é tão rica, as pessoas são tão dançantes aqui que na cabeça das pessoas elas se perguntam porque fazer aula de dança?
MIGUEL - GORDO DE OLINDA, vamos aproveitar e pedir prá voce convidar ao pessoal para ir ao seu show todas as quintas feiras lá na Pitombeira.
GORDO - Pois é quero convidar toda a rapaziada aí para o movmento toda quinta feira lá na Pitombeira, prá escutar blues, rock, jazz, maracatu, tá rolando tudo e é só pintar lá toda quinta feira.
Eu sempre abro os shows, chamo a rapaziada, os dinossauros que ainda fazem um som legal, o Ivinho, Romero Mamata, o André Melo, a rapaziada das antigas. Miguel: Gordo, posso te chamar Dinossauro do Rock de Pernambuco? - Pode claro! To por aí desde os anos 70, do Festival Chaminé que houve em Olinda, sempre participei do Projeto Vamos Abraçar o Sol (projeto esquecido...) Pois é os músicos são dinossauros, mas a galera é toda jovem que vai lá curtir um som e eu chamo de filhos.
Voltando ao Christiano, Miguel perguntou quais os ritmos mais dançados, os ritmos que o pessoal procura mais.
CHRISTIAN - "Aqui no Recife, o ritmo mais dançado é o forró, está havendo uma febre de salsa. Eu estava em Buenos Aires e lá se escuta tango, aqui, o frevo que é maravilhoso de escutar, só se escuta no carnaval.
FRED - Existe a Escola de Frevo da Prefeitura do Recife. O frevo é uma dança espontânea, e cada um dança de um geito. A mesma coisa é o forró, cada um dança do geito que quer, cada pessoa tem um geito de dançar, por isso voce estava falando que o Recife tem menos procura, porque tanto o forró como o frevo são danças espontâneas que quando tocam o gente dança e dança do seu geito.
CHRISTIAN - No Rio de Janeiro se toca muito samba, o deles, em todas as rádios...
FRED - Mas pagode não é samba. Pagode é pagode, samba é samba...
CHRISTIAN - Mas lá chamam de pagode, o Jorge Aragão, o Zeca Pagodinho...
FRED - Não... só quem não tem nível cultural, porque pagode é pagode e samba é samba... são coisas completamente diferentes.
MIGUEL - Aproveitando, quero mandar um abraço para o pessoal da Produção do Festival Canavial,o Afonso, lá em Aliança, onde vimos o verdadeiro samba de raiz com a Velha Guarda da Mangueira, e eu quero aproveitar esta oportunidade em que se tocou no samba e no pagode. Foi realmente prazeiroso!
O Programa Liberdade de Expressão sempre esquenta nos bastidores, nos intervalos e como sempre, passa rápido e nós já vamos caminhando para o fim do programa e neste terceiro bloco, gostaria que voces dessem seus contatos e falassem um pouco sobre seus trabalhos.
RENATA:A CIA. PERNAMBUCANA DE DANÇA DO VENTRE, tem a perspectiva de sair para outros Estados com o espetáculo e falar que para dançar a Dança do Ventre não tem idade. Desde criança, como a Harumi até a idade mais avançada e desde que a pessoa queira faze-lo. Todas as componentes são professoras de Academias.
Fone 92284719 -34552993
CHRISTIAN - As escolas de dança fazem seus eventos e a Jaime Arôxa fica na Avenida Caxangá fone: 32276917
FRED SALIM - Eu fui o primeiro bailarino a trabalhar em televisão, e foi uma honra, também com Sílvio Santos, na Globo, prá mim foi uma escola de vida e eu queria convidar todos os grupos da cidade do Recife, para o Dança Recife que vai acontecer no Teatro do Parque em abril. Qualquer pessoa que estiver interessada procurar atravé do telefone 99613457, falar comigo ou através do e-mail fredsalim@gmail.com
GALERIA DE FOTOS DO PROGRAMA LIBERDADE DE EXPRESSÃONa oportunidade, queremos agradecer ao ANDERSON SILVA, que fotografou todos os momentos do programa e que estamos expondo aqui na GALERIACIA PERNAMBUCANA DE DANÇA DO VENTRE
CIA. PERNAMBUCANA DE DANÇA DO VENTRE
FÁDIA DA ACADEMIA JAIME ARÔXA E DANIELA, MÃE DE HARUMI
RENATA MACHADO
ROBERTA MACHADO
RENATA, CAROL, RENATA E ROBERTA MACHADO
MIGUEL E FRED
História da dança
A história da dança cênica representa uma mudança de significação dos propósitos artísticos através do tempo.
Com o Balé Clássico, as narrativas e ambientes ilusórios é que guiavam a cena. Com as transformações sociais da época moderna, começou-se a questionar certos virtuosismos presentes no balé e começaram a aparecer diferentes movimentos de Dança Moderna. É importante notar que nesse momento, o contexto social inferia muito nas realizações artísticas, fazendo com que então a Dança Moderna Americana acabasse por se tornar bem diferente da Dança Moderna Européia, mesmo que tendo alguns elementos em comum.
A dança contemporânea surgiu como nova manifestação artística, sofrendo influências tanto de todos os movimentos passados, como das novas possibilidades tecnológicas (vídeo, instalações). Foi essa também muito influenciada pelas novas condições sociais - individualismo crescente, urbanização, propagação e importâncias da mídia, fazendo surgir novas propostas de arte, provocando também fusões com outras áreas artísticas como o teatro por exemplo.
(extraído do Wikipedia)
EQUIPE DE PRODUÇÃO:
Produtor Executivo e Apresentador - Miguel Farias
Produtora e Assessora de Comunicação - Maristela Farias DRT 1778 pe
GC - Edna Conceição
Imagem - Jonacy Simões
Som - Maestro Carlos
Assistentes de Produção - Jorge Augusto e Lula Dias
FOTOS DA EQUIPE:
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NOSSOS CONVIDADOS DO PROGRAMA LIBERDADE DE EXPRESSÃO - O FUTURO DAS RÁDIOS COMUNITÁRIAS
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
PROGRAMA LIBERDADE DE EXPRESSÃO - O FUTURO DAS RÁDIOS COMUNITÁRIAS


A atração do programa, como sempre estimulando a produção de jovens músicos, foi a BANDA KITINET, formada pelo João Odilon, Pedro Odilon e Rafael Charelli
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A FOTO EM SEPARADO, PORQUE O PEDRO QUE ESTAVA NA FAUCULDADE, CHEGOU ATRASADO, MAS CHEGOU, PARA COMPOR A KITINETE
Miguel Farias - "O Tema do Programa Liberdade de Expressão é o Futuro das Rádios Comunitárias" e você, Napoleão, que esteve no Fórum das rádios públicas nos dias 21, 22 e 23 de novembro, deve ter muita coisa para falar sobre o assunto e acho que é por aí que vamos começar".
Napoleão - Eu estive no Fòrum das Rádios Públicas que se realizaou nos dias 21, 22 e 23 que se realizou no Hotel Presidente, na Lapa, com dois dias de muitos discursos e debates, palestras e encaminhamentos para esse novo meio de rádio que aí vem: a questão da digitalização, a questão das experiências vividas pelas rádios públicas, comunitárias, educativas e nós agradecemos à SECOM e ao Ministério da Cultura por estarem engajados a esse movimento de rádios."

Miguel - " Vamos falar sobre todos estas questões de rádios educativas, rede pública nesse país, mas antes eu queria informar para o nosso telespectador sobre a questão desse novo sistema, desse novo formato que está se confirmando no Brasil com emissoras educativas, comunitárias e a rede pública de comunicação. Está tendo um grande debate, onde toda população, através de seus representantes, de suas organizações, estão discutindo o papel da televisão e da radiodifusão nesta país, inclusive foi criada a Empresa Brasileira de Comunicação - EBC, que tem a Tereza Cruvinel, que deve estar vindo no Recife, amanhã (27), para o lançamento da TV Pernambuco, no Paço Alfândega, que vai estar sendo reinaugurada já dentro dessa perspectiva de uma nova era da comunicação brasileira. E aí pergunto: Qual o futuro das Rádios Comunitárias, já que a partir do dia 02 de dezembro estamos estreiando no Brasil uma nova etapa de Comunicação que ainda não é dos nossos sonhos, mas já é um avanço e no dia 02, teremos um dos grandes eventos: o lançamento da televisão digital em São Paulo.
É muito importante prá gente e a pergunta vai para o Nadinho, para fazermos uma reflexão aqui no Programa Liberdade de Expressão.
Nadinho, você, que é representante da ARCO- Associação das Rádios Comunitárias de Olinda e Diretor da Estudio FM, aqui em Ouro Preto, eu queria que você falasse a respeito."

Naldinho - "Nós vemos muitas coisas boas vindo. Fala-se muito nas associações, federações em todo o país, mas as pessoas ainda não atentaram para um problema bem maior que são as leis para as rádios comunitárias.Quando se pensa em futuro, tem que se pensar em mudar as leis. Isso é o mais importante para que as rádios populares possam realmente desenvolver o seu trabalho como radcom, como rádio popular.
A preocupação hoje é a seguinte: esta vinda da digitalização e a aquisição dos equipamentos, quanto vai custar? As associações terão condições de comprar um transmissor desse porte? Um transmissor digital? É muito complicado."
Miguel - "Eu ouvi falar que fica em torno de R$ 150.000,00 um equipamento para rádio digital".
Nadinho - "Resolveria oproblema da comunicação popular. Resolveria porque voce teria mais banda e sairia dessa história da mesma frequência para todos. Resolveria, mas quem tem condições de comprar? Vamos perder?
Napoleão - "Fora os US$ 10.000,00 de royalties".
Miguel - Você esteve lá no fórum sobre a questão da rede pública de rádio, como você vê a perspectiva para nós que estamos na base, no dia a dia, na construção das radcoms, e eu também faço parte da Associação Comunitária do Sítio Histórico de Olinda, responsável pela Rádio Nova FM, também me preocupo como cidadão comum aqui em Olinda, cidade de 400.000 habitantes, uma cidade pobre do Nordeste pernambucano e novamente pergunto a você, como militante da ABRAÇO - Associação Brasileira das Rádios Comunitárias - em relação a esse porvir da rádio digital e o que mais importante, é que quando aconteceu o ITEIA lá em Belo Horizonte e o Presidente foi bem claro quando disse ter uma dívida com as rádios comunitárias e populares e que nesse resto de mandato iria saldar essa dívida apoiando fortemente as radcoms, mas ao mesmo tempo houve lá o anúncio de Frank Aguiar como futuro Ministro da Cultura, com a saída de Gilberto Gil, que está fazendo um grande trabalho (e vai sair por que quer). Então, se por um lado temos uma notícia boa, por outro a gente se sente um pouco abalado porque já não temos o Ministério das Comunicações e se perdermos o Ministério da Cultura é gravíssimo! Qual as sua perspectiva? a sua visão?"

Napoleão - "Pegando o que voce falou sobre o Presidente ter se colocado com uma dívida, querendo usar este mandato dele para tentar resolver, se houver um trabalho bem feito! Mas é muito grande a estrada!
O tema das TVs públicas temos que lembrar aqui, foi do Ministério das Comunicações. Na minha visão tem que ser iniciativa do Ministério das Comunicações para puxar o tema das rádios comunitárias. Hoje temos SECOM e Mnistério da Cultura e na perspectiva do fórum foram colocados prós e contras. No Fórum saímos com uma vitória: a ARPUB, Associação das Rádios Públicas do Brasil - convocou esse encontro e (por falta de respaldo), convocou a AMARC, que convidou a ABRAÇO, que foram os realizadores e eu diria até que o movimento das radcoms estava presente cerca de 40 a 50%. Detalhe: dentro de um fórum de rádio pública, o maior público que estava lá (e isso é fato!) era o pessoal das rádios comunitárias com a ABRAÇO e a AMARC. Então eu acho que o futuro ele vai vir de acordo com aquilo que Nadinho colocou: muda a lei. Tem Presidente, tem diabo de lei, diabo a quatro e a gente vai bater em cima, mas se de alguma forma não mudar só na porrada (vou usar esta palavra). a LEI VAI TER QUE MUDAR LÁ EM CIMA, LÁ NA PONTA para que o resto aqui também mude. Claro que a gente como movimento vai ter que procurar parcerias, estar sempre puxando esse debate que está sendo feito aqui no Programa Liberdade de Expressão, para que a cabeça do povo também possa entender e participar mais ainda."
Miguel - "Estamos acabando de receber a visita do Presidente da Tv Nova, Pedro Paulo, grande batalhador pela comunicação de Pernambuco e que nós gostaríamos que ele se aproximasse e falasse um pouco sobre o assunto que estamos discutindo"

Pedro Paulo - "Eu estava acompanhando o debate. É um tema palpitante, que gostamos muito de falar. Outro dia fizemos um debate aqui sobre a implantação da TV Digital. Eu costumo dizer que em menos de uma semana o mundo estará voltado para São Paulo e porque nós vamos ter a implantação da Tv Digital no Brasil. A previsão de migração dos canais de Pernambuco para TV digital é 1o. de março, exatamente. A grande experiência que vamos ter com ela em São Paulo.

Vocês estavam falando da digitalização das rádios comunitárias. Talvez a TV seja a última ponta dos eletro-domésticos no Brasil, a ser digitalizado. O próprio rádio já há algum tempo se falou na digitalização e como não se fez na época, o rádio AM passa pela situação extremamente difícil, completamente isolado porque naquela época os empresários de uma forma geral não tiveram a ousadia, a coragem de mergulhar de cabeça na nova tecnologia que hoje é absorvida no mercado inteiro e que só traz facilidade. Nós temos inúmeros exemplos: o do telefone celular é o melhor de todos, porque antigamente a gente tinha aquele aparelhinho celular e aquilo ocupava no mínimo sete linhas e hoje, todo mundo, pràticamente todo mundo tem um. As companhias telefônicas pràticamente estão dando o aparelho para o usuário, porque a partir daí ficou muito fácil fazer isso.
Então volta a se discutir a questão da digitalização do rádio também, mas a pauta do dia é a digitalização da TV e a digitalização da Tv está chegando. Nós aqui estamos trabalhando dia e noite para que a gente tenha condições de assimilar o mais rápido possível. Não sei se vai dar para entrar no dia 1o. de março, mas o mais rápido possível. nosso departamento de engenharia de projetos está todo mundo empenhado no sentido de proporcionar ao telespectador da TV Nova essa nova tecnologia que chega e vai chegar com muita força! Eu vi em estudo recente deum professor da Universidade Fedweral, que diz: engana-se aquele que pensa que a digitalização da TV vai demorar prá chegar no Brasil. Não vai! Porque na hora que começar a mostrar a diferença de um aparelho que hoje é analógico e um digital é muito grande. Então nõs vamos ter uma mudança muito rápida de conceito, sobretudo quando a gente pensa na possibilidade de diversificação. A TV no aparelho telefônico, no carro, na casa das pessoas com qualidade superior a um DVD.
Então é um novo mumdo que a gente começa a viver, a vivenciar a partir da semana que vem, dia 02 de dezembro em São Paulo e 1o. de março em Recife."
(Pedro Paulo agradeceu e saiu para uma reunião após o depoimento)
MIguel - "Será que o futuro do rádio vai ser pelo celular, internet ou extinção?"
Miguel - "E a galera da música escuta rádio ou apenas utiliza o mp3/4, internet, qual é a de vocês?"
João - "Eu não ouço rádio e é muito difícil encontrar no nosso meio ninguém escuta rádio a não ser para saber informações sobre shows e outras coisas. Gosto mesmo é de mp3 e internet"
Miguel - "É um fato a acrescentar no debate, de que a juventude hoje está ligada na internet. É um veículo que veio democratizar a informação e está cumprindo papel muito importante, porque a periferia já utilza a internet. Um computador se compra por R$ 700,00 em diversos pagamentos e as lan houses e os telecentros estáo aí. Pena que alguns apenas jogam e esquecem de informações importantes que estão circulando no mundo virtual.
Voltando ao tema O Futuro, para chegar no futuro temos precisamos rever a história e a gente sabe que em 1998 foi feita uma legislação que ao invés de ajudar piorou a vida das rádios e tem muitas coisas a mudar nessa lei.
Nadinho, de imediato, o que você mudaria na lei? Você que é da ARCO. Aqui em Olinda tem uma rádio com concessão e mais de 30 sem, o que é um absurdo!"
Nadinho - "Um dos caminhos usado por nós da ARCO, foi a Municipalização, que não foi adiante por falta de vontade política. É essencial a sobrevivência, que ela esteja na internet para que as pessoas possam acessar em qualquer lugar." Miguel - quer dizer que só botar música não adianta nada. Você tem que construir um modelo de rádio e a fala do jovem música abre um nicho interessante a informação sobre cultura.
Segundo Nadinho, o músico tem que ouvir rádio, porque para fzer sucesso tem que tocar na rádio. A rádio AM está em situação difícil segundo Pedro Paulo, mas ela existe! Caminhando a passsos de tartaruga porque ninguém acreditou na época, mas ela está existindo e é isso que a gente está discutindo! Temos que mudar a lei.
Miguel - Falando em lei, se voce pudesse indicar tres aspectos para mudar na lei hoje, o que voce mudaria?
Nadinho - O espaço geográfico, o alcance; a frequência única que prejudica todo mundo. Um transmissor de 25 watts, analóogico vaza e chega num ponto onde ninguém escuta ninguém.
Miguel - Na verdade, a lei foi feita para ninguém escutar ninguém e se a gente depender da boa vonta da lei das rádios é o fim!
Nadinho - Como terceito ponto, aumentaria a potência do transmissor e implementaria maior fiscalização.
Napoleão - Muitaa coisa que Nadinho falou está contemplado na minha resposta, o espaço geográfico, o espectro, a questão da potência e aí eu vou citar o exemplo dos quilombos e indígenas, que dentro da lei não tinham como ter rádio dentro de quilombo ou aldeia, mas houve "uma boa vontade" do Presidente da República que colocou canais nas aldeias e quilombos. E a lei? Danou-se. Eu desaprendi o que aprendi. Não podia, mas Lula quiz. Então é uma questão de boa vontade política!
Quanto a futuro, aí sim! Só vai sobreviver e ficar nesse meio de comunicação quem for competente. quem não quizer, por favor peça prá sair e saia! Por que te gente que tá aqui de brincar de comunicação e não vou peneirar quem diz fazer comunicação comunitária e não faz, porque o futuro é para as pessoas com conteúdo de qualidade. Nos Estados Unidos, por exemplo, voce pode botar um transimissor a qualquer momento, mas tu só sobrevive lá maluco, se tu tiveres audiência, se tu não tem, tu morre!
Então quem tiver no meio prá estar brincando então peça prá sair numa boa. Quem tiver engajamento com as pessoas que estão aqui hoje, nas associações, na FERCOM, na ARPPE, essas devem ficar, mas tem gente que tem que sair mesmo!"
Miguel - "Na realidade a gente precisa mudar o conceito do que é comunidade. Comunidade não é mais uma questão geográfica, é muito mais de afinidade, de ideias, e tem que se mudar essa concepção. As comunidades da internet são formadas por pessoas que gostam de música afro-brasileiras (por exemplo), então porque não ter umaaa rádio que toque esse tipo de música? Voce sintoniza a rádio a, b, c, e é tudo a mesma música, forró estilizado, brega, monopolizando as rádios comunitárias e comerciais. Pode ter comunidade de música latina, de arte, cultura, religião, esportes amadores, etc

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E preciso fazer uma lei onde se mude o conceito do que é comunidade. A rádio comunitária está muito mais para prestação de serviços do que para uma área territorial, para uma cidade. Voce tem vários tipos de pessoas e pode ter também as rádios comunitárias de associações de moradores que tratam as questões sociais, as de saúde, de vacinações. É preciso mudar esse conceito e fazer uma lei menos hipócrita onde as rádios comunitárias possam ter apoio cultural de verdade, porque na realidade a gente sabe que propaganda é propaganda e apoio cultural é propagando. Só muda o nome. É peciso que tenha uma potência razoável porque 25 watts é muito pouco. Quando entrar no sistema digital 25 watts é apenas um ruído e é preciso uma potência mais forte para que chegue com qualidade na casa do ouvinte e é preciso boa vontade porque a lei que foi feita, foi para acabar com as rádios comunitárias. Como pode dar certo se foi feita para acabar com as rádios?
Quando a lei foi pensada, disseram: vamos fazer uma lei prá acabar isso, porque na realidade o que aconteceu em 1988 com a Constituição Cidad, é que os movimentos sociais começaram a buscar autonomia, o povo começou a buscar sua fala, a se ver na TV e os caras ná no Congresso Nacional pensaram: "rapaz esse negócio está perigoso, o povo está começando a falar a ter auto estima. Esse povo está começando a pensar, isso não dá certo. Vamos fazer alguma coisa prá acabar com isso e fazer o que? Uma lei. Aí fizeram uma lei para acabar com as rádios comunitárias e se a gente depender dessa lei a radcom não tem futuro e agora tem a questão da digitalização, que mais uma vez, não só pela questão legal, inviabiliza, mas por outra questão: a econômica, porque a gente tinha a questão legal, não podia montar uma rádio porque não tinha dinheiro nem lei, mas 3 a 5 mil reais era mais fácil e se montava uma radiozinha. Agora vai ter que ter MUITO DINHEIRO.
Na realidade o futuro da rádio é muito difícil, agora tem um geito: é a rede pública. Juntar as radios comunitárias, as tvs educativas, as universitárias, e formar uma grande rede para democratizar a informação.

Miguel - Nadinho, voce falou das Rádios Livres, fala de novo porque este é o Programa Liberdade de Expressão e se este assunto fosse discutido alguns anos atrás estaríamos todos presos, mas gora vivemos num país democrático.
Nadinho - Outro caminho da comunicação são as Rádios Livres, em São Paulo, cujo movimento é muito forte. São rádios com transmissores de l kilo. O que é uma Rádio Livre? É uma rádio de um segmento. Ela só toca reggae, outra rock, outra forró e isso é muito bom dentro do universo que voce, MIguel, falou e é um sucesso mesmo!
Dentro do contexto que voce falou radcom e rádio popular, a comunitária é a de caixinha e a popular é a que tem um transmissor e sofreram muito no passado.
Miguel - na realidade a rádio de caixinha é mais agressiva que a FM, porque você é obrigado a escutar. Na FM voce escolhe e desliga quando não quer mais ouvir.
Napoleão - Mas eu quero fazer uma ressalva para a Rádio Alto Falante, que é um sucesso. Eu estava lá no estudio, quando uma senhora chegou e pediu para aumentar o volume da caixinha próxima da casa dela que estava muito baixo e ela não estava escutando.
Miguel e Nadinho Concordaram pela grande importância daquela rádio no desenvolvimento e na defesa da comunidade.
Miguel - Hoje no Brasil, vivemos uma grande contradição, ao mesmo tempo que a gente sente um desejo de mudança a gente sabe e percebe que tem um Ministro das Relações Institucionais que é um representante dos latifundiários, o Dep. José Múcio, temos um José Sarney, o grande doador das concessões dos políticos, fazendo parte do grupo. Temos um Ministro como Hélio Costa e a gente sente que ao mesmo tempo que a gente fica pensando em ver a rede pública consolidade, inclusive com investimento de 300 milhões., garantidos pelo Presidente, ao mesmo tempo que vemos que a oligarquia vai permitir isso. O Congresso Nacional tem falado veementemente contra e a gente fica numa contradição.

Napoleão - Eu vejo a questão da EBC que vai gerir essa graninha que voce falou aí, que vai fazer os encaminhamentos aos órgãops, tvs e rádios públicas, mas eu quero falar um pouco do futuro das radcoms. Dentro do fórum, enquanto ABRAÇO, foi feito um documento onde pedimos para colocar cláusulas que não estavam constando, que era a anistia de todos os processos de radcoms, fechado com a AMARC, PARA ISENTAR TODO MUNDO. A anistia, o investimento público, financiamento público, aí entra o que voce falou sobre parceiros. Precisamos de parceiros e o BB e o BNDES já se aperceberam que nós existimos.
Miguel - Tenho certeza quw muitos comunicadores populares estão nos escutando, então quero dizero seguinte\; que vamos dar continuidade a este debate sobre radiodifusão, sobre rede pública, sobre comunicação popular, porque eu acho que em 2008 a gente começa o novo século. O século da comunicação. É outra história, outro momento e eu acho que o comunicador, a sociedade, o povo tem que ter voz e aí entra o comunicador popular, entram as rádios comunitárias que são tímidas, mas existe uma experiência muito grande nesta país. Já existe algumas TVs abertas e é importante se amplificar porque as pessoas precisam de diversidade na comunicação.
O Napoleão ainda tinha muita coisa para dizer, mas falou que graças a Deus a gente tem este espaço que a gente agradece enquanto ABRAÇO. Vamos à Brasília nos dias 14, 15. e 16 para a Conferência Nacional da ABRAÇO e voce também vai e já estamos agradecendo aos parceiros Prefeitura de Recife, Prefeitura de Olinda, Fundarpe. Ah...Mandou beijos para os filhos.
O Nadinho tambpem agradeceu e lembrou a todos que se não mudarmos a lei, se não corrermos atrás, vai ficar na mesma coisa, principalmente com rádios em mãos de politicos.
O Programa encerrou com mais uma apresentação da Banda Kitinete, cujas fotos seguem na galeria e Miguel agradeceu a toda equipe pela competência, com tão poucos recursos, mas com muita vontade de fazer um excelente trabalho
GALERIA DE FOTOS

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NOSSA EQUIPE


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